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8 de Março – Dia internacional da Mulher (de luta!)

Neste dia 8 de março, dia internacional da mulher, a Fetar-RS parabeniza a todas as mulheres-margaridas pela passagem desse dia de reflexão e por serem lutadoras, em busca de igualdade e respeito.

Nos últimos anos, com o desmonte das políticas públicas e com as reformas proposta pelo governo Temer, todos os trabalhadores – sejam do campo ou da cidade – vivem um momento de retirada de direitos. Nós mulheres trabalhadoras rurais somos uma das categorias mais atingidas. Com a reforma previdenciária, caso seja aprovada, nossa idade para nos aposentarmos passaria de 55 para 62 anos. Sete anos parece pouco, mas é muito para aquelas que trabalham desde muito novas, na sua maioria na informalidade e sob intempéries – sejam a chuva, o sol forte, o vento.

Com a reforma trabalhista, já em vigor, nós mulheres também tivemos grandes prejuízos. Com a possibilidade da terceirização da mão de obra em atividade fim da propriedade rural reduziram as oportunidades de emprego formal. Com o fim das horas viajadas, as horas de deslocamento da nossa casa até a propriedade, que na maioria dos casos não são poucas, não serão mais pagas, reduzindo nosso salário. Esses são apenas dois exemplos.

Soma-se a esse cenário, o assédio moral e sexual que sofremos pelo simples fato de sermos mulheres numa sociedade tão machista como a nossa, e a dupla jornada, pois trabalhamos na propriedade rural e, ao mesmo tempo, ao chegar em casa, precisamos nos dedicar a família, aos filhos. Infelizmente, nossa sociedade está longe da igualdade, e acabamos desempenhando o papel de empregada no campo e em casa.

Quando em momentos de crise, que o desemprego aumenta, também somos as que mais sofremos. E isso faz com que muitas trabalhadoras rurais tenham que abandonar suas cidades em busca de emprego. E faz também com que tenhamos – para podermos trabalhar – que aceitar empregos informais, sem garantias e sem a mínima segurança necessária para manter nossa integridade física e mental.

Por tudo isso, é que a data de hoje nos faz destacar o quanto somos mulheres de luta. E destacar, também, a importância da nossa união. Unidas vamos promover as transformações sociais necessárias para que possamos viver dias melhores, com mais igualdade e respeito.

Viva as mulheres de luta! Viva as margaridas do campo!

Maria Felícia da Luz Castro
Representante das mulheres assalariadas rurais