FETAR FAZ EVENTO DE SUCESSO ALUSIVO ÀS MULHERES

Com uma participação acima de 30 pessoas, a FETAR, através de sua Comissão Estadual de Mulheres Assalariadas Rurais, promoveu na tarde de quinta-feira (11) um evento on line com a programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher. Temas como violência sexista, saúde e segurança, direitos trabalhistas, Previdência Social e tráfico de mulheres foram debatidos por mais de duas horas com palestrantes especializadas em seus assuntos para um público de lideranças ávidas por informações que os ajudem a prestar um serviço de qualidade em seus sindicatos.
A coordenadora de Mulheres Assalariadas Rurais da FETAR, Maria Felícia da Luz e Castro, considerou o encontro altamente positivo, tanto pela significativa participação, inclusive de outros estados, como pelos temas enfocados e o respectivo domínio das palestrantes. Logo após as boas-vindas da anfitriã, que estava em Santana do Livramento, foi dada a palavra ao presidente da FETAR, Nelson Wild, de Bagé, onde de imediato comentou a situação crítica da pandemia no município, que tem cerca de 150 mil habitantes e estão morrendo entre três a quatro pessoas por dia.
Wild saudou os participantes e relembrou a caminhada das mulheres que buscam igualdade e lutam contra a discriminação racial, a perda de emprego, a falta do benefício previdenciário após trabalhar a vida inteira e mesmo assim não conseguem se aposentar, entre outros. “Enfim, temas importantes que foram muito bem trabalhados e enfocados”, frisou o dirigente.
Gabriel Santos, presidente da CONTAR, igualmente se fez presente de Arroio Grande, onde é diretor do STR. Falou da preocupação com as quase 300 mil mortes e de um governo que não prioriza os trabalhadores e tão pouco a saúde da população. “Sabemos do significado e da importância do 8 de Março, bem como deste momento, que é de reflexão sobre as lutas e as necessidades das mulheres do campo. Por outro lado, perguntou até quando vamos seguir assistindo as perdas de vida. Vacina Já. Eu, sinceramente, não tenho receio em afirmar Fora Bolsonaro, que não tem condições de estar à frente do País”, desferiu Gabriel.
O deputado federal Heitor Schuch, de Brasília, cumprimentou os presentes e enalteceu a caminhada histórica de lutas e conquistas das mulheres. “É preciso olhar pra trás pelo que se fez e para frente pelos desafios que vêm por aí”, projetou. E, ainda, momentos antes das palestras, a dirigente Francisca Inês Zanella de Almeida, do STR de Vacaria e Muitos Capões, recebeu cumprimentos pelo vídeo que gravou sobre 8 de MARÇO, o qual foi postado no Facebook da FETAR e recebeu perto de mil visualizações.
OS TEMAS E A SÍNTESE DAS FALAS DAS PALESTRANTES:
• Violência contra as Mulheres: assunto da policial Marina Machado Dillenburg, Delegada Adjunta e Coordenadora do Plantão da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). – O serviço da Polícia Civil está cada vez sendo mais aprimorado. Ajudar as mulheres quando elas nos pedem socorro;- Necessidade das pessoas se conscientizarem de que todos temos obrigação de ajudar, denunciar e não deixar de lado tipo “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Se mete sim;- A Lei Maria da Penha e todas as formas de violência, pois não é somente socos e pontapés que caracterizam atos de violência. Mas sim injúrias, deboche, enfim todo um ciclo de violência doméstica;- A Polícia, como porta de entrada, precisa também estar preparada para dar o devido acolhimento à mulher. A capacitação dos policiais é fundamental para dar o encaminhamento correto. É uma questão de saúde pública, inclusive a pandemia está potencializando as agressões, os divórcios e os feminicídios.
• Segurança e Saúde da Trabalhadora Rural: Vanda Garibotti, técnica da área de intoxicação exógena do Centro Estadual de Vigilância em Saúde – CEVS/RS.- Enalteceu a força das mulheres e onde ela estiver tem o direito de viver com dignidade;- Para ter SAÚDE é preciso cuidar-se de si mesma;- Reproduziu um trecho da música de Milton Nascimento…. Maria, Maria! É preciso ter força, é preciso ter gana, é preciso ter raça!- E encerrou com Lya Luft.
• Direitos Trabalhistas das Mulheres: Juíza do Trabalho Valdete Souto Severo, também integrante da Associação de Juízes para a Democracia;- No campo, as mulheres trabalham isoladas e talvez aí esteja um dos fatores de sujeição. A visão é: o homem trabalha e a mulher auxilia;- A Reforma Trabalhista nem se fala…permite que pessoas trabalhem até por valores menores do que um salário mínimo;- Existe um potencial muito grande entre as mulheres para superar tudo isso. E que se torna ainda mais forte nestes tempos de pandemia;- O grande desafio é coletivo, mas se passa no repensar do movimento sindical.
• Previdência Social das Mulheres: Jane Berwanger, assessora jurídica da FETAR e especialista em Direito Previdenciário;- Ela fez uma retrospectiva da situação da mulher na Previdência Social e a luta para conseguir se aposentar;- O volume de benefícios indeferidos às mulheres é muito grande;- O trabalho das mulheres é temporário ou para determinadas tarefas, o que dificulta no momento de se aposentar;- Elas lidam com a produção de tabaco, leite, frangos, suínos…. É tudo com a mulher!- Não existem serviços leves para a mulher.
• Imigração de mulheres/Tráfico de mulheres: Jaqueline Leite, assessora do Comitê Latino Americano de Mulheres da União de Trabalhadores da Alimentação, Agricultura e Hotéis – CLAMU/UITA.- A migração de mulheres nos países do Mercosul e a violência que sofrem;- O aliciamento de mulheres para uma determinada atividade e depois são enganadas;- Muitas vezes são submetidas a serviços análogos à escravidão, inclusive sexual, entre outras formas constrangedoras que denigrem a imagem das mulheres.
Assessoria de imprensa – 11/03/2021 – Luiz Fernando Boaz (51) 99640-1959