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LEITE MATERNO NÃO ESTÁ LIVRE DE AGROTÓXICOS 

Uma tese para obtenção do grau de Doutor em Química, no Curso de Doutorado do Programa de Pós-graduação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), levou Mariela de Souza Viera a constatar cientificamente a presença de Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) e agrotóxicos em leite materno. O 2º Secretário da FETAR-RS, Sérgio Poletto, avalia esse estudo como fundamental para mostrar que até mesmo os bebês recém-nascidos já estão sendo contaminados por agrotóxicos. “Além dos governos, entre outras entidades, também é papel da Federação alertar a sociedade sobre os riscos à saúde humana com a proliferação crescente e descabida de novas formulações desses venenos, que acabam sendo manuseados (muitas vezes sem quaisquer proteção) pelo trabalhador rural”, enfatiza.
O aleitamento materno é uma via de eliminação de poluentes orgânicos persistentes, também conhecidos como agrotóxicos e pesticidas. Esta condição pode provocar consequências graves no crescimento infantil e alterações neurológicas em lactentes expostos a estes contaminantes.

A tese de Mariela é mais uma que vem somar-se a outros estudos,  cujo objetivo é avaliar o impacto da contaminação do leite materno por agrotóxicos e suas implicações para a saúde infantil.
Poletto destaca que tabelas contidas na tese de Mariela, com compostos detectados nas amostras de leite materno coletados em vários municípios do RS, causam ainda maior preocupação. “Antes desse trabalho, só tínhamos conhecimento da contaminação por outros agentes. Agora, nem os bebês estão livres do envenenamento por agrotóxicos. Precisamos, com outras entidades que combatem o uso indiscriminado de agrotóxicos, fazer campanhas de alerta”, observa o dirigente.
Na página em que está o Resumo da Tese de Mariela, mostra que a Convenção de Estocolmo, em 1972, foi a primeira atitude mundial a tentar preservar a saúde humana e o ambiente do uso indiscriminado de agrotóxicos, especialmente os poluentes orgânicos persistentes (POPs), que se caracterizam por serem lipofílicos podendo bioacumular nos tecidos adiposos e também no leite materno. Porém, ressalta o estudo, os POPs constituem apenas uma parte dos produtos químicos com potencial de contaminação ambiental e humana, uma vez que novas substâncias estão constantemente sendo desenvolvidas e liberadas no ambiente.
O método foi aplicado em 20 amostras de leite materno coletadas em diferentes regiões do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, das quais todas apresentaram pelo menos um dos compostos estudados. Com análise por componentes principais dos resultados foi possível relacionar os agrotóxicos detectados com relação a cidade de origem das amostras e número de gestações da nutriz. Considerando que o leite materno é uma matriz complexa, o método analítico foi eficaz para a determinação em nível de traço de POPs e agrotóxicos em leite materno, podendo ser aplicado em análise de monitoramento da exposição humana a esses contaminantes.
Fonte: URI
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