UMA REFLEXÃO DE VIDA

No Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos – 3 de dezembro – é necessário refletir e analisar as conseqüências do uso cada vez maior de agrotóxicos no mundo inteiro. O agronegócio está altamente, e de forma assustadora, dependente de produtos e agentes químicos, que contaminam o meio ambiente, os alimentos, intoxicam as pessoas, criam dependência e, muitas vezes, levam o ser humano à morte.
A data simboliza toda uma caminhada de lutas. Temos esferas e instâncias, como o Fórum Gaúcho de Enfrentamento aos Agrotóxicos, entre outros espaços, que não apenas denunciam como cobram dos governos federal e estaduais ações alternativas aos agrotóxicos.
O uso indiscriminado, aliado a produtos que são proibidos no Brasil, mas que entram de forma clandestina e são comercializados, acabam manuseados pelos assalariados e assalariadas rurais. Eles trabalham em um ambiente, na maioria das vezes, desprovidos de Equipamento de Proteção Individual (EPI).
Quantos trabalhadores morreram por contaminação de agrotóxicos, inclusive os números oficiais só não são maiores devido às subnotificações. É urgente que a Ciência e universidades pesquisem alternativas ao emprego de agrotóxicos, bem como seu uso de forma racional.
O movimento sindical faz seu papel e a FETAR faz denúncias, promove eventos, edita materiais informativos e é uma das principais bandeiras de luta da entidade a questão da saúde e segurança dos trabalhadores.
Sabemos que existem situações da necessidade de sua utilização, mas para tanto, que haja extremo cuidado no manuseio, bem como os EPI’s adequados com o devido treinamento.
Aos governos cabe a liberação de recursos e exigir das entidades de pesquisa e dos fabricantes, produtos com baixo grau de toxicidade ou alternativos ao emprego de agrotóxicos.
E, para finalizar, cabe ao trabalhador denunciar aos órgãos competentes, como a Secretaria de Saúde ou o seu sindicato, quando são obrigados a manusear agrotóxicos sem o respectivo treinamento e o Equipamento de Proteção Individual. A denúncia é de forma anônima e se trata de um descumprimento à legislação e às normas de proteção aos trabalhadores.
Nelson Wild, presidente da FETAR