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Vergonha: Temer reajusta o Salário Mínimo em R$ 17

Nesta sexta-feira, 29, o presidente Michel Temer assinou decreto fixando em R$ 954 o valor do salário mínimo em 2018. Em relação ao valor em vigor, teve aumento de R$ 17. O reajuste representou 1,81% e é o menor dos últimos 24 anos.

Em entrevista, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que, em 2017, o reajuste ficou um pouco acima do que a fórmula do salário mínimo determinava para esse ano e que por isso, para 2018, esse excedente precisou ser descontado.

Para o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), porém, o reajuste do salário mínimo ficou abaixo da variação do INPC neste ano, algo que não acontecia desde 2003.

Entenda como é feito o cálculo

A variação de 1,81% é resultado da atual forma de correção do salário mínimo, que leva em consideração a soma da variação do PIB de dois anos antes e a variação do INPC do ano anterior. Assim, em 2018, a soma inclui o PIB de 2016, que teve queda de 3,6% e o INPC de 2017.

Como o resultado do PIB de 2016 foi negativo, o reajuste do salário mínimo é feito apenas pela variação do INPC. Vale destacar que esses 1,81% do INPC são uma estimativa, já que o percentual só será conhecido em janeiro de 2018.

De acordo com o presidente da Fetar-RS, Nelson Wild, o reajuste representa uma vergonha e é calculado de forma irreal. “Não história recente não se viu reajuste tão descabido e fora da realidade. O cálculo apresentado pelo governo é feito em cima de uma inflação que nem de longe representa a realidade. Vivemos um momento de retirada de direitos e com gasolina, eletricidade, gás, por exemplo, sendo reajustados semanalmente”, destacou.

O presidente da Fetar-RS ainda destaca o fato de que os assalariados rurais, na sua maioria, se aposentam com um salário mínimo. “Esse reajuste de R$ 17 para 2018 não cobre o aumento no custo de vida do trabalhador rural”, afirma.

Segundo o Dieese, e de acordo com a Constituição, o Salário Mínimo, hoje, deveria ser em torno de R$ 3.700, para garantir a dignidade e a qualidade de vida do trabalhador.

“O reajuste de 1.81%, somado à retirada de direitos imposta pela reforma trabalhista e a tentativa de aprovação da reforma previdenciária, reafirma aquilo que já denunciamos: Temer, que aplicou o golpe político, governa de costas para o povo”, aponta Wild.

Texto: Juliana Figueiró Ramiro | Assessoria de Comunicação Fetar-RS